A Volkswagen apresentou oficialmente à imprensa, em Barretos (SP), a nova Tukan, picape desenvolvida no Brasil que marca a entrada da marca em um novo segmento dentro do mercado nacional. A configuração cabine dupla foi revelada na versão Extreme, topo da futura linha, enquanto a cabine simples apareceu na versão Robust, voltada principalmente ao uso profissional. A chegada ao mercado está prevista para o primeiro semestre de 2027.
A apresentação durante a Festa do Peão de Barretos não foi escolhida por acaso. A Volkswagen utiliza o evento, que possui forte ligação com o universo das picapes e do agronegócio, para apresentar uma estratégia que pretende ampliar sua participação nesse mercado. Segundo dados divulgados pela própria empresa, as picapes passaram de aproximadamente 10% das vendas de veículos no Brasil em 2015 para cerca de 20% em 2025.
A Tukan será produzida na fábrica de São José dos Pinhais (PR) e terá cerca de 80% de peças nacionalizadas. O projeto é 100% desenhado, planejado e desenvolvido no Brasil e, segundo a Volkswagen, já acumulou mais de 2 milhões de quilômetros de testes, incluindo avaliações realizadas com clientes em situações reais de utilização.
Design busca identidade própria
Na versão Extreme apresentada em Barretos, a Tukan chama atenção principalmente pela dianteira. O conjunto tem proporções mais altas e verticais, com capô marcado por vincos e um conjunto óptico em LED. Os faróis são estreitos e criam uma assinatura horizontal na parte superior da frente, enquanto o logotipo da Volkswagen é sustentado por uma régua cromada.
A região inferior concentra elementos pretos e entradas de ar de grandes dimensões, criando uma leitura visual mais próxima do universo das picapes. Na avaliação visual, a dianteira transmite uma proposta mais robusta sem recorrer a soluções excessivamente ornamentadas.
Segundo a Volkswagen, a intenção do departamento de Design foi evitar que a Tukan simplesmente reproduzisse a identidade visual do T-Cross, apesar de compartilhar a arquitetura MQB. A marca afirma que o desenho foi pensado para criar uma identidade própria para a picape.
Nas laterais, a carroceria apresenta caixas de roda mais marcadas, linha de cintura elevada e uma área inferior visualmente mais protegida. A combinação desses elementos deixa a picape com aparência mais encorpada e ajuda a diferenciá-la dos modelos derivados diretamente de automóveis de passeio.
A unidade Extreme exibida em Barretos utiliza a cor Amarelo Canário, tonalidade que a Volkswagen associa à história da marca no Brasil e que foi escolhida como uma das cores de lançamento da Tukan. A configuração apresentada também combina elementos externos pretos, incluindo teto, retrovisores, barras de teto e rodas.
Na parte traseira o visual da tampa tem linhas mais dinâmicas no recorte, nome Tukan marcado na chapa em relevo, lanternas em led com máscara negra em peça única. A régua que liga as duas lanternas posicionadas acima do logo da marca só serve como adorno, não tem funcionalidade nenhuma a não ser a estética. A abertura da tampa é feita diretamente no emblema.
A Volkswagen ainda não divulgou todas as dimensões da picape, mas afirma que o projeto foi desenvolvido priorizando capacidade de carga, vão livre do solo e ângulo de entrada. A empresa também promete capacidade de carga superior a 700 kg.
Plataforma MQB e suspensão com feixe de molas
A Tukan utiliza a arquitetura MQB, conhecida por modelos da Volkswagen, mas recebe alterações específicas para atender às necessidades de uma picape. Um dos principais destaques técnicos é a suspensão traseira com feixe de molas.
De acordo com a fabricante, a Tukan será o primeiro veículo da Volkswagen baseado na arquitetura MQB a utilizar esse tipo de suspensão. A solução foi escolhida para combinar robustez e capacidade de carga com características de condução esperadas de um veículo da marca.
Ainda não foram divulgados os números de desempenho, capacidade de carga, dimensões e versões mecânicas. Por isso, qualquer comparação definitiva com concorrentes deve aguardar a apresentação completa da ficha técnica.
Posicionamento
A Tukan representa uma mudança importante na estratégia da Volkswagen para o mercado brasileiro. A marca já possui a Saveiro entre as picapes compactas e a Amarok entre as médias, mas a nova picape pretende ocupar uma posição intermediária dentro da estratégia de produto, atendendo diferentes perfis com as configurações de cabine simples e dupla.
A Volkswagen, entretanto, não trata oficialmente a Tukan como substituta da Saveiro. A própria fabricante classifica o modelo como integrante de um segmento inédito para a marca. Porém, com a apresentaçaõ da Tukan também na versão Extreme, espera-se que o modelo roube as vendas da sua irmã mais velha.
Acredita-se também, que a picape da Volksvagen vai enfrentar, principalmente a Fiat Strada pelo lineup completo entre cabine simples e cabine dupla. Entretando, vai alcançar concorrentes como Chevrolet Montana e Renault Oroch. A Fiat Toro e a futura Renault Niágara também devem sentir a ofensiva, principalmente em suas versões de entrada.
Com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027, a Tukan chega como uma peça central da nova ofensiva de picapes da Volkswagen na América do Sul. A apresentação de Barretos revela principalmente o caminho escolhido pela marca: uma picape de projeto nacional, com duas configurações de cabine e uma identidade visual própria, deixando para a etapa seguinte os dados que definirão seu real posicionamento diante dos concorrentes.