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Ram Dakota Big Horn aposta em força, conforto e preço para enfrentar as picapes médias

Versão de entrada da Dakota custa R$ 249.990 em venda direta e combina motor 2.2 turbodiesel, tração 4x4, capacidade de carga de 1.020 kg e pacote tecnológico amplo

 

A Ram ampliou a família Dakota no Brasil com a chegada da Big Horn, versão que passa a ocupar a posição de entrada da picape média da marca. Com preço de lançamento de R$ 249.990 na modalidade de venda direta, a configuração fica R$ 50 mil abaixo da Warlock e muda a lógica de posicionamento da Dakota: em vez de disputar apenas pelo prestígio da marca, passa a ter argumentos concretos para quem procura uma ferramenta de trabalho que também possa cumprir o papel de veículo de uso diário.

O principal argumento continua sendo a mecânica. A Dakota Big Horn utiliza o motor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, com 200 cv a 3.500 rpm e 45,9 kgfm de torque a 1.500 rpm. O propulsor trabalha com câmbio automático de oito marchas e sistema de tração que permite utilizar 4x2, 4x4 Auto e 4x4 Low, além de contar com bloqueio eletrônico do diferencial traseiro. Há ainda modos de condução destinados a diferentes condições de piso, incluindo Normal, Sport, Snow e Sand/Mud.

É um conjunto que privilegia força em baixa rotação, característica importante para uma picape que pode transportar carga e enfrentar estradas de terra. Os 45,9 kgfm aparecem já a 1.500 rpm, permitindo que o motor trabalhe sem exigir rotações elevadas para movimentar os mais de dois mil quilos da picape. Em dados divulgados para a configuração, a Dakota Big Horn acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 9,9 segundos e alcança velocidade máxima próxima de 196 km/h.

A vocação utilitária fica evidente nos números de capacidade. A Dakota pode transportar até 1.020 kg de carga e possui caçamba com 1.210 litros de capacidade volumétrica. O sistema também permite rebocar até 3.500 kg, colocando a picape em uma posição interessante para quem precisa transportar equipamentos, materiais, implementos ou reboques. A caçamba recebe revestimento interno, iluminação de LED, capota marítima e tampa com amortecimento e trava elétrica.

As dimensões ajudam a explicar o porte do modelo. São aproximadamente 5,36 metros de comprimento, 1,97 metro de largura, 1,76 metro de altura e 3,18 metros de entre-eixos, dependendo da fonte e do critério de medição utilizado. O tanque de combustível tem 80 litros. A suspensão dianteira utiliza arquitetura independente do tipo double wishbone, enquanto o eixo traseiro é rígido, solução tradicional entre as picapes médias com proposta de trabalho.

Na prática, o conjunto favorece a versatilidade. No campo, a tração 4x4 com reduzida, o bloqueio do diferencial traseiro e os modos específicos de condução permitem explorar terrenos onde uma picape 4x2 teria limitações. Na cidade, o câmbio automático e a direção com assistência elétrica tornam o uso mais simples, embora o porte de 5,36 metros continue exigindo atenção em garagens, ruas estreitas e estacionamentos.

É justamente nesse ponto que a Big Horn se diferencia de uma picape exclusivamente voltada ao trabalho. O interior inclui ar-condicionado digital de duas zonas, bancos dianteiros com ajustes elétricos, carregador de celular por indução refrigerado, chave presencial, partida por botão, painel digital de 7 polegadas e central multimídia de 12,3 polegadas com conectividade sem fio. A câmera com visão de 360 graus também é particularmente útil para manobrar uma picape desse tamanho.

A lista de segurança é outro destaque para uma configuração de entrada. A Big Horn traz seis airbags, controle eletrônico de estabilidade e tração, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas, monitoramento de ponto cego e assistente de manutenção em faixa. Também há freios a disco nas quatro rodas.

O preço é um dos pontos mais fortes da Dakota Big Horn. Por R$ 249.990 na venda direta, ela consegue oferecer cabine dupla, motor turbodiesel, câmbio automático, tração 4x4 e uma extensa relação de equipamentos. Na mesma faixa de preço, versões de entrada de modelos como Ford Ranger e Toyota Hilux podem aparecer em configurações mais simples, inclusive cabine-chassi, dependendo da versão e da modalidade de compra. A comparação, portanto, favorece a Dakota quando o critério é quantidade de equipamento entregue pelo dinheiro investido.

Também existe uma comparação inevitável dentro do próprio grupo Stellantis. A Dakota compartilha sua origem estrutural e diversos elementos com a Fiat Titano, e essa relação é importante para compreender tanto seus méritos quanto sua principal fragilidade.

Seria exagero dizer que a Dakota é simplesmente uma Titano com outro emblema. Existem alterações de acabamento, identidade visual, calibração e posicionamento, e a Dakota recebeu uma apresentação própria para se encaixar na estratégia da Ram. Ainda assim, a proximidade entre os dois produtos é perceptível e não deve ser ignorada.

A base mecânica do motor 2.2 turbodiesel é a mesma família utilizada pela Titano, e a arquitetura geral das duas picapes é bastante próxima. Isso coloca a Dakota em uma situação curiosa: o consumidor está pagando mais pela experiência de produto Ram, pela identidade visual e pelo pacote de equipamentos, mas não está diante de uma picape completamente desenvolvida do zero para a marca.

E aqui está o ponto em que a Ram poderia ter ido além, afinal, a marca construiu no Brasil uma imagem associada a picapes grandes, acabamento sofisticado e sensação de produto premium. Por isso, seria desejável que a Dakota apresentasse uma diferenciação ainda maior em relação à Titano, principalmente no desenho interno, nos materiais e na percepção de refinamento. A Big Horn é bem equipada, mas o acabamento mais simples, com revestimentos menos sofisticados que os das versões superiores, revela sua condição de porta de entrada.

A Laramie mostra melhor o que a Dakota poderia representar dentro da Ram. Nela, há materiais macios ao toque, bancos de couro e uma atmosfera mais sofisticada. A Big Horn, por outro lado, precisa equilibrar preço e custo de produção, e por isso abre mão de alguns elementos visuais e de acabamento.

Essa é uma crítica branda, mas relevante: a Dakota poderia ter uma identidade ainda mais própria e um interior mais refinado para justificar plenamente a presença do logotipo Ram. Afinal, quando o consumidor compra uma Ram, parte do valor está justamente na percepção de exclusividade que a marca construiu.

 

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