O Fiat Dardo foi um esportivo brasileiro fora de série inspirado no Fiat X1/9, produzido entre 1979 e 1983 pela Corona, em Diadema, usando mecânica Fiat e por isso ficando conhecido popularmente como Fiat Dardo, mesmo não sendo um modelo oficial da marca.
CHEGADA NO BRASIL
O projeto nasceu na Corona com chassi desenvolvido por Toni Bianco e apareceu pela primeira vez no Salão do Automóvel de 1978, já como Dardo F-1.3, chamando atenção pelo desenho de forte inspiração italiana, o que ajudou a conseguir a aprovação da Fiat para vender o carro e atendê-lo em sua rede de concessionárias, algo incomum para um fora de série nacional.
PASSAGEM NO BRASIL
A produção em série começou em 1979 e seguiu até 1983, primeiro com a versão F-1.3 e depois com a F-1.5, sempre em volumes muito baixos e focados em entusiastas que queriam um esportivo de dois lugares com motor central e aparência de carro europeu num mercado fechado a importados. Mais tarde o projeto passou para um empresário italiano e o carro voltou a ser montado em Cotia com o nome Grifo, em escala quase artesanal, até o início dos anos 2000.
QUANTOS FABRICADOS
Ao longo de toda a vida do modelo, estima-se que tenham sido feitas por volta de 300 unidades, somando a fase Corona e as poucas produzidas depois, o que ajuda a explicar por que hoje ele é raro e bastante disputado em encontros de antigos.
PRODUÇÃO E RELAÇÃO COM A FIAT
Apesar da mecânica Fiat, o Dardo não era fabricado pela Fiat, e sim pela Corona S.A. Viaturas e Equipamentos, a ligação com a marca italiana vinha do uso de motor e câmbio do 147 Rallye e do acordo que permitia vender o carro nas concessionárias Fiat, com garantia e manutenção dentro da rede, o que reforçou o apelido Fiat Dardo e deu certa confiança ao comprador da época.
PRINCIPAIS VERSÕES E MOTORES
A principal versão foi o Dardo F-1.3, com motor 1.3 de origem Fiat 147 montado em posição central-traseira, tração traseira e freios a disco nas quatro rodas, conjunto simples, mas bem acertado para o peso baixo e o foco esportivo. Depois veio o F-1.5, com motor 1.5 mais forte, que trouxe um pouco mais de desempenho, mas sem alterar a essência do carro, que continuou sendo um esportivo leve, de dois lugares, pensado mais para prazer ao volante do que para números de pista.
CURIOSIDADES
Visualmente, o Dardo se destacava pelo motor central, algo muito raro no Brasil, linha de estilo claramente inspirada em Bertone, faróis escamoteáveis, teto targa e carroceria em fibra de vidro, praticamente um “X1/9 brasileiro” que Bianco concebeu após conhecer o original na Europa, logo no Salão de 1978 o carro teria recebido cerca de 50 encomendas, sinal de que havia espaço para esse tipo de esportivo no mercado nacional. Em algumas unidades, peças como lanternas de Ford Del Rey eram usadas, algo comum entre fora de série brasileiros, que precisavam adaptar componentes disponíveis no mercado para viabilizar o projeto.
No fim das contas, o Dardo acabou se tornando um dos ícones dos fora de série nacionais, justamente por juntar estilo italiano, motor central, mecânica relativamente simples de manter graças à base Fiat e produção muito limitada, e hoje é visto como um clássico de nicho, bastante valorizado por colecionadores e por quem viveu a época dos esportivos nacionais dos anos 70 e 80.